segunda-feira, 9 de março de 2015

A mãe de todas as derrotas

Passou o carnaval e, como estamos acostumados a afirmar, o ano começou. Feliz 2015, prezados leitores e leitoras! Aliás, passamos dois meses dizendo “feliz 2015″ para todos aqueles que encontramos apenas depois do Réveillon. Do ponto de vista formal, o ano começou com a posse de Dilma. Do ponto de vista substantivo, na política, o ano começou um mês depois, em 1º de fevereiro, com a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara. Os dois eventos se juntam agora, no início do ano pós-carnavalesco, o ano que vale para um país chamado Brasil.


CorelA eleição de Cunha para a presidência da Câmara representa uma derrota significativa para o governo. Trata-se da “mãe de todas as derrotas” que se seguiram, e foram várias. Há duas comissões parlamentares, no âmbito da Câmara dos Deputados, que são de grande importância para o processo legislativo, em particular quando o governo Dilma terá que aprovar novas medidas econômicas, que são uma inflexão na comparação com a política macroeconômica adotada no primeiro mandato. Trata-se da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e da Comissão de Finanças e Tributação (CFT). Os parlamentares que estarão à frente das duas comissões são figuras de confiança de Cunha e, portanto, não necessariamente vão defender a posição do governo.

sexta-feira, 6 de março de 2015

A Classe “C” vai à Disney e ao Walmart


CorelEstá longe o tempo em que somente os brasileiros da classe “A” iam à Disney. Há cinco anos, fui lá pela primeira vez na condição de pai. Agora, no início de 2015, acabo de retornar da terra do Mickey Mouse e a diferença, no que tange à presença brasileira, é imensa. É possível que os brasileiros sejam em torno da metade dos frequentadores dos parques da Disney durante o inverno americano. Digo isso baseado em uma evidência anedótica.


Há uma atração no parque Hollywood Studios da Disney chamada “Lights, Motors, Action. Extreme Stunt Show”, na qual é apresentado ao vivo e em cores como se faz para filmar uma perseguição automobilística. Há uma enorme arquibancada que comporta uma plateia bastante numerosa. Na primeira parte, o locutor apresenta um dos pilotos de automóvel afirmando que, além de ser um dos melhores dos Estados Unidos, ele é brasileiro. Então, o microfone é passado para ele, cujo nome é Ricardo Oliveira. Ele saúda em português os brasileiros e, diante de uma primeira reação morna, solicita que os brasileiros levantem a mão e gritem de maneira mais entusiasmada. Quando isso é feito, tem-se a impressão de se tratar de metade das pessoas que ocupavam a arquibancada.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Rio de Janeiro completa 450 anos e é polo de conteúdo

Belezas naturais são cenários de grandes produções

filme-rio-2O Rio de Janeiro chega aos 450 anos – completados no último dia 1º – com muita história boa para contar, ao menos como geradora de conteúdo que virou referência mundial. As belezas naturais foram – e são – cenários de grandes produções. Suas paisagens foram usadas por marcas importantes do Brasil e do mundo. A Johnnie Walker “acordou” o Pão de Açúcar com a campanha “Gigante”, criada pela Neogama/BBH. A Havaianas é outra marca que usa e abusa das praias cariocas em sua comunicação; e a Ipanema tomou para si o nome de um dos bairros e praias mais famosos do mundo. A realização do Rio Content Market, que aconteceu na semana passada e reuniu lideranças que discutiram a produção de conteúdo audiovisual, é outro exemplo do quanto a capital fluminense é importante quando o assunto é geração de conteúdo.

A INTERNET MAIS RÁPIDA DO MUNDO

Por Pedro Augusto Leite Costa

O provedor de Internet da Ephrata é o iFiber
O provedor de Internet da Ephrata é o iFiber
A última vez, e talvez a única, que o mundo percebeu que Ephrata existia foi quando um aposentado da Boeing chamado Jim McCullar ganhou o segundo maior prêmio da loteria dos Estados Unidos: US$ 380 milhões, em 2011, após comprar um bilhete no Safeway, na Basin Street, única rua movimentada da região. De lá para cá, essa modorrenta cidade, encravada no deserto que vai da cordilheira do Pacífico até o Estado de Idaho, basicamente proporciona duas alegrias aos visitantes: quando eles chegam e quando eles saem.

Mas agora, Ephrata, cujo nome é sinônimo de oásis, está virando celebridade. Segundo uma pesquisa do blog Gizmodo, os habitantes de Ephrata têm a internet mais rápida do mundo (101,6 Mbps), enquanto o resto dos Estados Unidos se conforma com 18,2 Mbps, em média. Orgulhosa do seu clima seco e frio, além da proximidade do rio Columbia, que proporciona energia barata, qualidades essenciais para refrigeração de servidores, a cidade está abrigando “data centers” gigantes (mais de nove) – entre eles da Microsoft, Yahoo e Intuit – e, acima, de tudo, a alegria da internet veloz para seus felizardos moradores e empresários.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Dilma faz lembrar Mitterrand

or: Alberto Carlos Almeida
brasfrancePor motivos lamentáveis, a França está muito presente na mídia. Radicais islâmicos sempre encontrarão um motivo para levar a cabo um ato terrorista. Desta vez, o motivo foi um conjunto de peças de humor que ofendem os que professam o islã. A lembrança intensiva da França nos remete a um episódio histórico de grande importância, bem diferente do atual, porém muito semelhante ao que acontece no Brasil hoje. Não há no horizonte brasileiro, por enquanto, ameaça terrorista. Não temos uma minoria islâmica, muito menos grupos que não tenham sido incorporados pelo “ser brasileiro” ou “tornar-se brasileiro”. Isso nos deixa distantes dos franceses. Por outro lado, política econômica todos os países têm, e inflexões de política econômica não são casos únicos no mundo.


François Mitterrand foi um dos maiores estadistas franceses. Sua trajetória política foi oposta ao que uma vez Winston Churchill eternizou na frase: “Quem não foi socialista até os 30 anos de idade não tem coração; quem não se tornou conservador depois dos 30 não tem cabeça”. Inicialmente conservador, Mitterrand fez parte da resistência francesa à ocupação alemã e passou uma parte significativa de sua vida política e parlamentar no Partido Comunista Francês. Como ministro do Interior do governo Pierre Mendès-France (1954-1955), ele teve que lidar com a guerra de independência da Argélia, quando declarou que a “Argélia é a França”. Os árabes, portanto, têm razão quando afirmam que estão hoje na França porque antes a França desembarcou em seus países. Mitterrand ficou sem mandato, saiu do Partido Comunista, entrou no Partido Socialista e tornou-se presidente em 1981. Na época, o mandato do presidente era de sete anos, com direito a reeleição. Algo inédito no mundo ocidental. Mitterrand foi eleito e reeleito, passando, portanto, 14 anos no Palácio do Eliseu. Lula ficou somente oito anos no Palácio do Planalto, assim como Dilma ficará somente isso. Caso Lula queira ser presidente do Brasil por mais tempo do que Mitterrand foi presidente da França, terá que ser eleito em 2018 e reeleito em 2022.

terça-feira, 3 de março de 2015

O Ministério de Dilma na Câmara


Partidos2015O parlamentarismo foi cruel com a Europa. Trata-se de um sistema de governo no qual não há efetiva divisão de poderes. O Poder Executivo – o primeiro-ministro e seu gabinete – é uma extensão do parlamento. Uma vez formada a maioria parlamentar, os deputados daquele partido ou coligação de partidos ocupam os ministérios. Como diz o nome, o primeiro-ministro é o “primus inter pares”. Está acima de seus pares, é o primeiro, é o superior. Formado o governo, os deputados retêm o poder de destituí-lo. Se, por alguma razão, a maioria de sustentação do governo decidir que é preciso mudar o primeiro-ministro, ela tem a prerrogativa de fazê-lo. Trata-se, é claro, de uma situação, em geral, indesejável. Mas a possibilidade de os deputados trocarem o governo está sempre no horizonte.



Há estudos acadêmicos, fartamente documentados, que mostram que os sistemas parlamentaristas são mais gastadores do que os presidencialistas. O Estado é maior nos países parlamentaristas do que nos presidencialistas. A razão para isso é a mencionada no parágrafo anterior: se o primeiro-ministro e os deputados que ocupam os ministérios não gastarem, são derrubados e trocados por deputados gastadores.

Por Alberto Carlos Almeida

segunda-feira, 2 de março de 2015

Classe média associa consumo ao sucesso

Estudo da McKinsey mapeou as principais transformações nos últimos 10 anos



Fernanda Hoefel: consumo tem papel centralA já nem tão nova classe média brasileira – cerca de 70% da população brasileira – foi alvo de um estudo realizado pela McKinsey (consultoria global) que mapeou algumas das principais transformações nos últimos 10 anos, desde quando a maior preocupação era ter boa comida na mesa até os dias atuais, em que as aspirações passam por outras categorias de bens de consumo como eletroeletrônicos, além de lazer de uma maneira geral.

Fernanda Hoefel, que liderou o estudo, diz que o que mais chama atenção é o quanto o consumo representa o papel central na vida da classe média, associado a bem-estar e sucesso.
Fernanda Hoefel: consumo tem papel central
 
Acompanha essa tendência o alto endividamento e a pouca intimidade com planejamento financeiro. O baixo nível de educação financeira resulta na falta de traquejo com a organização das finanças e onde melhor aplicar dinheiro. Fernanda aponta para o fato, por exemplo, de que boa parte desse grupo ainda acredita que endividar-se no cartão de crédito é melhor negócio do que eventualmente financiar um bem junto ao banco. Paga, sistematicamente, o valor mínimo das faturas, transformando prazer em pesadelo. Um total de 61% das pessoas da classe média possuem cartões de crédito e pelo menos metade das transações é usada para pagar bens de consumo como produtos eletroeletrônicos, roupas e livros. Pelo menos 27% dos usuários de cartão não têm condições de pagar as dívidas que fazem, e 20% estão com o nome na lista Serasa/SPC. Pelo menos 12% já tiveram de renegociar dívidas de empréstimos em bancos.